domingo, 12 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR
Foto e texto Luisa Galvão

terça-feira, 23 de março de 2010

SIMPLES ASSIM...

Fotos: Luisa Galvão

CARNAVAL AZUL!

Fotos: Luisa GalvãoAnjo no Céu






terça-feira, 22 de dezembro de 2009

JARDIM

"Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.
Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.
O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.
Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.
Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!
Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...
Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro


um Paraíso não puderes encontrar,


não existe chance alguma de, algum dia,


nele entrar".

Texto de meu amado e inspirador Rubem Alves

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

GARÇA REAL

Ontem fui, com alguns amigos queridos, passar o dia numa cachoeira linda!
Vimos tantos encantos da natureza, que estou ainda extasiada!
E um dos presentes que recebemos, foi a visita de uma garça real.
Bicho totalmente encantador, com suas cores, sua elegância e sua presença.
Ficamos todos fascinados e perplexos com aquela aparição, mesmo porque ninguém conhecia aquele ser.
E aos pés da cachoeira ela fez seu banquete de peixinhos que tentavam subir as águas.
E nós, nos alimentamos de beleza, harmonia, luz, paz e amor.
Nos reunimos no grande salão de pedras recobertas por musgos que parecem cidades... e envolvendo o salão,  uma florestinha úmida e aconchegante, refrescada pela garoa vinda das águas ao bater nas pedras... sol brilhante e céu azul de nuvens gorduchinhas e brancas...
Fizemos uma fogueirinha nas pedras para trazer a força do fogo em nossas vidas... troncos e galhos esculpidos pela força da água nos mostraram formas originais e bem significativas para nosso momento.
Recebemos uma chuva de luz, com os pingos da cachoeira!
E nos enchemos de amor!
Amor por nós mesmos! Amor entre nós! Amor pela a natureza! Amor com DEUS!
Foi um dia rico! Um dia feliz! Um dia de luz!
E eu sou muito grata!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PARA VOCÊ!

clique no cartão para ampliar

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

HOJE EU TÔ COM SAUDADE!

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.


Clarice Lispector

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ÊTA MUNDÃO D´AGUA!

Foto: Luisa Galvão

FIM DE SEMANA SEM GRANA

Aproveitar um dia de sol... ou de frio, com ou sem chuva...
Disponibilizar coração, sentidos e músculos para conhecer a natureza...
E mergulhar, devagarinho, em cada cantinho que puder entrar!

Um sábado, um domingo, um feriado qualquer...
Alguns bons amigos, frutas doces e suculentas,
Sorriso nos lábios e o canto dos pássaros vai me receber!

Sempre vejo muitos bichos.
Lindos exemplares do equilíbrio natural da vida.
Água é sempre fundamental...
Como é imprescindível um tempo de silêncio para adoração e agradecimento.

Tenho vivido assim...
Simplicidade e leveza...
Conversas boas e admiração por cada coisa vista, cada passo dado, cada som que me envolve num ritual de troca de presença...
Eu admiro, contemplo e absorvo...
Recebo a natureza toda que se mostra em quadros de excepcional beleza e brilho.


Nadar no rio...
Lavar-me na cachoeira,
Refrescar-me dentro das pequenas florestas e matinhas serenadas pela água ao redor!
Escorregar pelas raízes que fazem degraus e que me levam aos recantos mais lindos!
Tomar sol e respirar o ar puro... ou molhar-me na chuva pra lavar a alma.

Aqui e ali,
Lá e acolá...
qualquer lugar no mundo...
Onde quer que eu vá,
O amor pela natureza me guia, me completa e me inspira!

ACHADO

Texto e foto: Luisa Galvão

Depois de tragar meu primeiro cigarro,
Pensando em você tranquei-me em meu quarto.
Deitei na cama de corpo suado,
Mergulhei o pensamento em prato e,
Embora os músculos paralisados,
Descobri no meu peito o que havia de errado.

Era sim, o compasso do coração!
Sentimento muito solto gerou tal vibração,
Que mesmo estando inerte,
minha alma concentrava a ternura e a paixão.

Pouco depois,
Encabulada ao olhar-me no espelho,
Olhos vermelhos, rosto molhado...
Sufocado o despeito da perda, saí de casa revidada.

Passei pelas ruas sozinha, mas não deserta.
Na certa se me visse,
Diria que eu procurava alguém, mas
Nada estava mais perto que meu achado.

Desmanchei-me em chamas... olhos abertos,
Sorriso nos lábios
Quando olhei para o céu e só a lua
Participando de minha loucura,
Caminhava comigo clareando ruas escuras
E me trazendo de volta o que foi minha e sua:
A razão de viver!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009